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terça-feira, 17 de abril de 2012

17 de abril, Dia Mundial do Malbec!

A emblemática uva argentina tem data comemorativa no dia 17 de abril. Nesta terça-feira, em todo o mundo, haverá celebrações a casta considerada a melhor acompanhante de uma boa picanha. A data foi criada em 2011, em Buenos Aires pelo presidente da Wines of Argentina, Alberto Arizu e Andrés Kemeny, secretário da entidade. Desde então, o 17 de abril entrou para o calendário mundial do vinho como o "Malbec World Day". Além de Buenos Aires, outras 30 cidades do mundo celebram o malbec em 17 de abril, entre elas Nova York, Londres e Mendoza. Brasília não ficou de fora. O chef Francisco Ansiliero, reconhecido amante do vinho, vai promover esta semana, no restaurante da 402 Sul, o "sete dias de malbec, com alguns dos melhores rótulos da casa e em várias faixas de preço.
Numa parceria com a importadora Art du Vin, estarão em evidência esta semana no Francisco da 402 Sul, os seguintes rótulos: Altosur 2011 (R$ 38), Sophenia Reserve 2009 (R$ 51), Sophenia 1500 ml 2009 (R$ 102), Serbal 2010 (R$37), Caitec 2010 (R$ 41) e Vertientes Reserva 2008 (R$ 71). Os descontos começam nesta terça-feira e vão até a próxima segunda-feira, dia 23.
Foi em 17 de abril de 1853 que o agrônomo francês Michel Aime Pouget chegou a Mendoza, na Argentina, com as primeiras mudas de uvas Malbec. Na França, a malbec é uma casta típica da região de Cahors e também está presente em Bordeaux. Mas foi na Argentina que ela encontrou condições excelentes para gerar vinhos frutados, macios, de bom corpo, bem escuro, de taninos presentes e que devem ser consumidos, preferencialmente, ainda jovens.
A cor da malbec, bem profunda, violeta, fez com que essa uva ganhasse um outro nome. Hoje, na França, ela é mais conhecida como Cot ou Auxerroir e, pelas características visuais, por muito tempo seus vinhos foram chamados de " vinhos pretos de Cahors". Praticamente relagada a segundo plano na França e sequer destacada em outras regiões da Europa, a malbec é símbolo da viticultura argentina. Na França, ela é usada para fazer corte de outras cepas, principalmente cabernet sauvignon e merlot. Embora se encontre cultivo da malbec até no norte da Itália, os argentinos são responsáveis por 59% da produção mundial de malbec.
Em 2010 fiz uma enquete aqui no blog, para saber o alcance da malbec entre os leitores. A preferência pelos vinhos feitos com a uva Malbec foi, de longe, muito maior que as espanholas, portugesas e australianas. A uva argentina obteve 72% dos votos. A seguir, deixo algumas dicas de vinhos produzidos com a uva malbec, com excelente custo-benefício e que realmente me encantaram.

Pulenta Gran Malbec 2007– Excelente vinho feito na região de Alto Agrelo, em Mendoza, na Argentina. É produzido pela Família Pulenta, que há três gerações faz vinhos na Argentina. Mas a vinícola é nova. O primeiro vinicultor dessa família foi Antonio Pulenta, imigrante italiano. Em 2002, os filhos dele, Eduardo e Hugo Pulenta, estruturaram a vinícola. 100% Malbec, exala especiarias, pimenta, cereja e ameixas maduras. É um vinho mais complexo, com grande graduação alcoólica (14,5%), o que confere um potencial de guarda à altura, por volta de 10 anos. Mas é leve, embora persistente, e de boa acidez. É um vinho agradável de beber. A safra 2007 foi muito boa na região. Esse vinho passou 16 meses em carvalho francês, sendo 80% barricas novas. Aqui no Brasil, infelizmente, pela ganância do governo e dos atravessadores da importação, esse vinho é muito caro: R$ 170. Mas se você estiver indo para a Argentina, principalmente a Mendoza, não deixe de experimenta-lo. Por lá custa, pelo menos, três vezes menos.

Crios Susana Balbo Malbec 2008 - É um vinho feito 100% com a uva. Crios significa "cria", "filhos" e foi exatamente o que Susana Baldo fez aqui. Ela desenvolveu um vinho jovem, para ser apreciado já, em homenagem aos dois rebentos: José (que também é enólogo) e Ana (que administra os negócios da família). Ganhou 90 pontos de Robert Parker, e tem madeira bem colocada para conseguir isso! No Brasil, é distribuído pela Cantu. É um vinho com recomendação para acompanhar risoto de açafrão e filé com funghi, mas eu experimentei com calabresas. A vinícola de Susana Balbo e seu segundo marido, o ex-enólogo da Catena Zapata Pedro Marchevsky, chama-se Dominio del Plata e foi fundada em 1999. Esse Crios Malbec 2008 (ela tem uma linha inteira, com várias uvas!) é muito elegante. É gastronômico, mas se liberta da harmonização se você quiser apenas usá-lo como moldura de um bom bate-papo. Equilibrado, com acidez média e taninos macios, exibe uma cor brilhante, entre o rubi e a violeta. Os aromas são envolventes: primeiro vem a madeira, mas passa rápido apesar dos 8 meses em barris de carvalho francês e dos 14% de álcool por litro. Depois, abre para um perfume intenso de flores, ameixa vermelha e amora maduras, tabaco, defumado, cereja e especiarias que voltam também no paladar. Foram feitas 40 mil garrafas e você encontra aqui em Brasília entre R$ 35 e R$ 40.

A Lisa 2008 – Excelente malbec. Foge totalmente ao padrão de Mendoza. Um vinho sofisticado, elegante e com mais umidade, dada a posição geográfica da Patagônia - que recebe ventos úmidos do Pacífico e do Atlântico. A biodinâmica da região favorece a colheita sob céu limpo em dia de sol, à mão. Aliás, tudo na Bodega Noemía, tanto na Argentina quanto na Argiano italiana é feito sob processo manual. Os vinhos são orgânicos e o malbec elaborado com uvas de vinhedos com mais de 60 anos de idade, com 10 meses em barricas de carvalho de terceiro uso, recebe 10% de merlot. O vinho é delicado, com acidez de temperaturas frias, está mais para um Rhône do Norte do que para um malbec de Mendoza. Um vinho leve, com taninos muito macios e que privilegia um trabalho manual que leva oito horas para completar uma tarefa que as máquinas fazem em 5 minutos. Tem 14% de álcool e custa R$ 95. Ganhou 91 pontos de Robert Parker e 90 da Wine Spectator.

Leonardo Malbec 2008 - Ótimo custo-benefício. Produzido pelo enólogo espanhol José Manuel Ortega Gil-Fournier, radicado em Mendoza, na Argentina. O sujeito é boa praça, conhece como poucos o mercado mundial. Amante dos vinhos por tradição de família, abandonou o posto de presidente do Banco Santander para se dedicar às uvas, com terrois na Espanha, Chile e Argentina. O vinho em questão surgiu porque quando o Ciro Lila abriu a Vinci, uma importadora de vinhos com perfil distinto da Mistral, ele pediu ao Fournier que criasse uma linha exclusiva para a marca. Então o Ortega Furnier criou a Leonardo, numa homenagem ao artista e inventor italiano. Com isso, a jogada de marketing ganhou muito vulto, já que você agora compra o vinho Leonardo, da Vinci. É um vinho muito frutado, fresco e extremamente fácil de beber. Tem pouco tanino e baixa acidez e por isso pode ser servido desde a entrada até no acompanhamento de um prato principal com carne, que não precisa ser gordurosa. O Ortega Fournier me disse que ele macera pouco os vinhos, pra que eles não fiquem pegando na boca e que tenham pouca acidez, assim ele consegue um vinho pra ser consumido rapidamente.

Alamos Malbec 2008 - Esse é o melhor custo/benefício da Catena Zapata. Sem dúvida um dos melhores achados do mercado. Esse vinho é uma das poucas unanimidades argentinas. Elegante, sofisticado, é um vinho "francês". Tem boa estrutura e taninos generosos. Produzido na região de Mendoza, é 100% malbec e tem 13,5% de álcool. Os vinhedos da Catena Zapata são em altitudes elevadas o que confere uma ponta de pimenta ao final do malbec. Ficou 9 meses em carvalho (25% barricas novas). Tem guarda de 5 anos e combina com carnes grelhadas e massas com molhos fortes. Preço: R$ 30,25.
Ciclos Malbec 2006 - Feito por Michel Torino, tem uma pequena porcentagem de merlot. Esse vinho é um exemplo de que não é somente em Mendoza que se faz grandes vinhos na Argentina. O Ciclos é um vinho sofisticado e, para o ganancioso mercado brasileiro (com vampiros arrecadadores no governo, na importação e na venda), tem até preço compatível com seu valor. Poderia ser mais barato, já que na Argentina você compra por R$ 15. Aqui sai por R$ 61. O Ciclos 2006 está no seu auge. Produzido no Valle Colchaquies, em Cafayate, na região de Salta, no noroeste argentino, tem boa acidez e taninos bem equilibrados. A associação malbec/merlot revela aromas de baunilha e caramelo, que vêm da passagem por 12 meses em carvalho. É um vinho muito frutado: cereja, ameixas vermelhas e amoras sobressaem ao se respirar esse vinho. O percentual de álcool é baixo para a pretensão do produto: 13%.
Hacienda Del Plata - Mayoral Malbec Gran Reserva 2006 – Produzido em Mendoza, é uma excelente opção de malbec mais complexo e com boa guarda. Com 14,6% de álcool, está chegando ao seu ápice. É um vinho intenso, traz uma compota de ameixa ao nariz na primeira inspirada. Forte em cereja, baunilha e cravo, trai a vista pela cor rubi forte, mas não os aromas. Ao se beber esse vinho percebe-se que apesar da complexidade os taninos são macios e não travam a boca na primeira golada. Frutadíssimo, esse malbec é o top de linha da Hacienda Del Plata e cai como luva ao lado de pratos suculentos de carne, cordeiro, além de queijos fortes, risotos mais temperados e massas com molhos encorpados. Custa R$ 79.

Masi Passo Doble Malbec/Corvina 2006 - Ótimo custo-benefício. Custa R$ 42. É arredondado com 5% de merlot. De corvina passificada leva 30% e de malbec, 65%. Tem 13,5% de álcool e acompanhou com maestria um talharim à bolonhesa. É um vinho que pode ser guardado até 10 anos. Isso quer dizer que lá por 2014 ele estará concluindo sua melhor curva. As uvas foram colhidas de vinhedos com mais de 30 anos e o processo desse vinho começa com a tradicional primeira fermentação de malbec e merlot, com temperatura controlada. A corvina é passificada parcialmente e entra na mistura para a segunda fermentação. Passificar uma uva é secá-la, extraindo a água do fruto e deixando-o com maior concentração de açúcar. Essa técnica é muito utilizada na região do Vêneto, na Itália, e da corvina se faz o saboroso amarone, que é mais doce. O resultado alcançado nesse processo é de um vinho rico, corpulento, elegante, capaz de permanecer no paladar por um tempo bem superior aos demais vinhos argentinos que conhecemos. O Masi Passo Doble Malbec/Corvina 2006 apresenta taninos macios e boa acidez, além de frescor. Mas isso se dá porque o produtor, Masi, é condierado o rei do Amarone e o grande mestre da passificação de uvas. E ele conseguiu implantar a característica do vinho italiano na mais emblemática uva argentina, a malbec. Se puder, não deixe de experimentar esse vinho.

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